segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tombos e capotes


Se tem uma coisa mais feia que trombada de charrete é tombo de cadeira de rodas. Até que, proporcionalmente, levei poucos tombos na cadeira... até hoje. Além do que levei no Sarah, que contei aqui, houveram dois bem mais feios. O segundo tombo que levei foi em Maresias, fui pra lá curtir um feriado, no início de 2007.
Ficamos em uma pousadinha perto da praia, com piscina e cachoeira artificial. Piscina? Tô dentro. Sempre curti uma água (pra nadar, a de tomar só a que passarinho não bebe). E lá vai o cadeirante teimoso entrar na piscina. A primeira ideia genial que tive foi pedir pra minha namorada fazer como se eu fosse um carrinho de mão, embicar a frente e despejar de uma vez o conteúdo. Mas ela não quis fazer isso com medo de eu me machucar. Então passei da cadeira pra uma espreguiçadeira, e dela pro chão, e fui me arrastando até a borda, com minha namorada levando as pernas.
Até aí tudo bem, entrei na piscina e fiquei de molho umas boas horas. Mas na hora de voltar... Consegui sentar na beira, e fui tentar, pela primeira vez, subir na cadeira a partir do chão, manobra que aprendi no Sarah. Acontece que meu ombro esquerdo também é bichado, na primeira tentativa já arriei e caí de bunda no chão. Na segunda, bunda no chão de novo, terceira, mesma coisa, finalmente na quarta, com mais dois me puxando, consegui. Maravía!
Da piscina pros quartos tinha uma descida de grama, e eu, muito do esperto, falei que era mais fácil descer de ré com alguém segurando na frente. Comecei a descida, e deu o óbvio: noventa quilos ladeira a baixo ninguém conseguiu segurar. O que fazer pra parar? Minha primeira reação foi freiar, segurando o aro. Resultado? Acadeira tombou com tudo pra trás. Dá um desepero danado quando vai caindo, parece que tudo tá em câmera lenta, e a maior preocupação é não bater a cabeça. Ainda bem que é grama, pensei. Bati a cabeça de leve no chão, sem machucar, e quando olhei pra cima... um par de joelhos gigantes vem de encontro à minha cara. Foi a mesma coisa que levar dois socos (sem luva de boxe) direto na fuça. Não sei como não perdi um dente. Doeu pra cacete, e quando parecia que tinha acabado, meu corpo rolou por cima de mim, com as canelas mirando o céu, e dei a cambalhota mais esquisita da vida, uma perna pra cada lado. Deu pra imaginar a cena, né? Foi bonito não.
Refeito do susto, conferi se todos os dentes tavam na boca, fiquei com um olho roxo e o nariz latejando. Aí foi só subir na cadeira de novo, e a mesma história, na quarta tentativa, já suando, consegui subir. Todo mundo preocupado, e eu só pensava em entrar na piscina de novo. No dia seguinte fui pra piscina de novo, mas tive o triplo do cuidado pra não cair.
O outro tombo foi pouca coisa pior. Eu fazia fisioterapia num prédio na Av. Contorno, aqui em BH, e resolvi ir sozinho pela primeira vez, todo feliz por não precisar de ajuda (tinha comprado o carro há pouco tempo). Cheguei, montei a cadeira ao lado do carro, pulei pra ela e fui pegar o elevador. Não tinha ninguém esperando, entrei e apertei o andar. De repente, o elevador parece que acelerou de uma vez e foi parar no último andar, o 12º (eu ia no 8º). Apertei de novo o botão e nada. Apertei o de fechar a porta, e nada. Bem, é só sair deste e pegar o outro elevador. Lá fui eu saíndo de ré, tranquilão e de repente, o chão sumiu. O elevador tinha parado com um degrau de uns vinte centímetros e eu não percebi. Fui virando pra trás, e pra minha (in)felicidade tinha um vaso de planta grande, daqueles de cimento, no corredor. Bati na planta, que cedeu com meu peso, e lasquei a cabeça na beirada da vaso, virando de vez com as pernas pro ar. E novamente aquele par de joelhos gigantes na fuça. E como tinha a parede atrás, minha cabeça ficou espremida, as pernas dobradas em cima e um pé pra cada lado.
Olhei pro lado e tava a secretária de um escritório olhando pra mim sem saber se chorava ou ria. "Machucou?" disse ela segurando a gargalhada. "Não", disse eu, pensando "só rachei a cabeça e quebrei oito dentes, mais nada". Aí a moça chamou dois caras pra me levantar e foi lá pra dentro soltar a gargalhada, por sinal nada discreta. Os caras me colocaram de pé, ou melhor, sentado, passei a mão na cabeça, e como não estava molhada, apesar de um galo enorme, agradeci e fui pro outro elevador. Quando contei pra fisioterapeuta, até eu ri, apesar das fortes dores na cabeça, nariz, pescoço... Depois disso passei a ficar esperto com elevador. Taí um aviso pros cadeirantes: quando for sair de um elevador de ré, veja se não há degrau!

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