quarta-feira, 29 de abril de 2009

Coisas que um cadeirante ADORA escutar

Muitas vezes as pessoas não fazem por mal, a falta de informação acerca da condição de cadeirante gera perguntas ridículas e situações constrangedoras. Nas primeiras vezes temos paciência e levamos numa boa os questionamentos, mas chega uma hora que, dependendo do indivíduo e da pergunta (tem uns que fazem de sacanagem), dá vontade de aproveitar a altura em que nossa mão fica em relação às pessoas e lascar um murro nas partes baixas.
Abaixo listei algumas situações e questões que muitos cadeirantes vivenciam. Em nome do bom convívio social, da tolerância com o próximo e da paciência gigantesca geralmente somos educados. Mas, e se não fossemos?... Como minha criatividade pro mal feito é muita, mando duas respostas "tolerância zero" pra cada pergunta.

Situação: Contando sobre a perda de sensibilidade.
Pergunta: - Você não sente nada mesmo?
O que ele responde: - Não, não sinto nada mesmo.
O que gostaria de responder:
- Às vezes sinto vontade de chorar quando alguém pergunta isso.
- Sinto muito sobre sua ignorância cavalar que não te deixa entender o que é perda de sensibilidade.

Situação: O cadeirante diz que tem carro e dirige.
Pergunta: - Como é que você faz pra dirigir?
O que ele responde: - Meu carro é adaptado pra mim.
O que gostaria de responder:
- Deito no banco, acelero com uma mão, dirijo com a outra e amarrei um espelho no banco pra enxergar a estrada. Tranquilo.
- Instalei um controle de videogame no carro pra fazer tudo na mão. O problema é quando dá game over, o carro para de funcionar.

Situação: O cadeirante mostra o carro adaptado pro animal acreditar.
Pergunta: - Ah, você dirige com as mãos?
O que ele responde: - Sim, é tudo nas mãos.
O que gostaria de responder:
- Não, dirijo com o nariz, gosto de aventura.
- Todo mundo dirige com as mãos, sua toupeira, a diferença é que acelero e freio com uma das mãos.

Situação: O cadeirante se mexe na cadeira, mudando um pouco de posição.
Pergunta: - Deve ser muito ruim ficar sempre sentado né?
O que ele responde: - Sim, muito ruim.
O que gostaria de responder:
- Que nada, a gente descansa pra caramba, e nem precisamos pegar cadeira, banco, nada, temos sempre lugar pra sentar.
- Ruim mesmo é não alcançar sua nuca pra te dar um tabefe.

Situação: O cadeirante faz elevação (se suspende pelos braços)
Pergunta: - Sua bunda não fica doendo?
O que ele responde: - Tenho pouca sensibilidade (ou nenhuma).
O que gostaria de responder:
- Sua anta, não lembra que te falei que não sinto nada?
- Menos que a sua, que está sempre em uso...

Situação: Conversa sobre sexo.
Pergunta: - Você tem disfunção erétil?
O que ele responde: - Não, funciona direitinho.
O que gostaria de responder:
- Brocha é a pqp.
- Dá uma apalpada aqui em baixo que você descobre.

Situação: Ainda conversa sobre sexo.
Pergunta: - Você consegue transar normalmente?
O que ele responde: - Sim, só fico limitado a algumas posições.
O que gostaria de responder:
- Não, preciso utilizar a posição 238 do Kama Sutra me pendurando no teto enquanto minha parceira planta bananeira.
- Pergunta sua irmã que ela te responde.

Situação: Comentando sobre como tomamos banho.
Pergunta: - Você consegue tomar banho sozinho?
O que ele responde: - Sim, tenho uma cadeira própria pra entrar debaixo do chuveiro.
O que gostaria de responder:
- Tenho três enfermeiras gostosas que me dão banho de esponja todo dia.
- Não, quando sua irmã não está ocupada ela me dá banho de esponja.

Situação: Falando sobre o dia a dia.
Pergunta: - Você se vira sozinho?
O que ele responde: - Faço quase tudo sem ajuda, é só buscar novas maneiras.
O que gostaria de responder:
- Que nada, minhas enfermeiras me ajudam em tudo, principalmente no banho de esponja.
- Claro, e ainda te viro de bruços, vamos ali pra você ver.

Situação: Ainda sobre o dia a dia.
Pergunta: - Você consegue ficar sozinho em casa?
O que ele responde: - Sim, sem problemas.
O que gostaria de responder:
- Nada, além das enfermeiras tenho dois javalis, um porco espinho e três araras pra me fazer companhia. Tô precisando de uma anta, você se interessa?
- Que nada, sua irmã tá sempre lá comigo. Acha mesmo que ela faz pilatus, aula de inglês e natação todo dia?

P.S.: se o cara não tiver irmã, serve a prima. Ou se o cadeirante já estiver puto (e o cara não for muito forte), apela pra progenitora.

6 comentários:

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  2. Assim talvez seja melhor nunca perguntar algo a um cadeirante.

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  3. As pessoas nao devem ter receio de fazer perguntas a um cadeirante...mas sim de fazer perguntas TOLAS sobre coisas q nao lhe dizem respeito..por exemplo vida sexual?? O que o vizinho, o fulano ou o beltrano tem a ver com isso?
    Noto uma grande falta de simancol em certas coisas q me perguntam e olha q nao sou cadeirante, mas sou casada com um e ja ouvi muita barbaridade, só nao sei como certas pessoas nao tem vergonha de fazer perguntas tão toscas...aff

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  4. É verdade, namoro um cadeirante e as perguntas são as mais ridiculas, mas temos que ter paciencia com as pessoas mal informadas, a primeira coisa que querem saber é se "faz tudo direitinho".Ah! detalhe alem das perguntas ridicula, tem a forma que as pessoas te olham, quando eu e meu namorado estamos juntos, nos percebemos nos olhares das pessoas a interrogação, uma pessoa normal com um cadeirante, fora que chamamos muito atenção todos olham.rsrsrs, mas tenho com meu namorado o que nunca homem perfeito nenhum soube me dar.

    Quanto as pessoas curiosas, deixo uma dica, antes de fazer perguntas ridiculas a um cadeirante entra na net e se informa hoje temos tudo na nossa mão.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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