quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Camisola de cirurgia

Tem gente que treme só de ouvir a palavra cirurgia, mas eu já passei por tantas que pra mim é como se fosse fazer uma consulta ou tirar um raio X. Mas fazia um tempinho (mais de 3 anos) que eu não entrava num bloco cirúrgico (alalaooo, ooooo, ooooo) e não tinha que vestir a danada da camisola de cirurgia.
O procedimento já sei de cor, entra na salinha, tira a roupa toda, inclusive a íntima, tira relógio, pulseira, brinco, etc, etc, e veste a camisola de cirurgia, aquela ridícula que fica a bunda de fora se você não amarrar atrás. Deve ter sido algum boiola que inventou aquilo, afinal, porque a abertura é nas costas? Porque muitas vezes as pessoas tem que chamar o enfermeiro (nesses casos é sempre homem) pra amarrar a cordinha enquanto dá uma sacada na bunda do infeliz? As cirurgias, acredito, devem ser na maior parte das vezes feitas pela frente, não justifica a abertura nas costas. Só pra sacanear o cara que, não bastasse se sentir um boi indo pro abatedouro, ainda tem que pagar um ridículo, pois a cordinha não aguenta nem dois minutos amarrada. Você só percebe quando bate aquele vento sul no rego.
Ah, mas comigo é diferente!! Eu estou sempre sentado, ninguém vai ficar vendo minha bunda!! Peguei a camisola, a touquinha e mais duas touquinhas pros pés. Já tinha visto chinelo, mas touquinha pros pés foi a primeira vez. O enfermeiro já veio engraçadinho pra cima de mim, perguntando se consigo tirar a roupa e vestir a outra sozinho. COM CERTEZA, falei puxando cortininha. Tirei a roupa, já fui sem cordão nem relógio porque sei que tem que tirar tudo, coloquei a camisola... e lembrei que é ainda mais difícil amarrar atrás na cadeira de rodas. Mas eu ia tentar até a morte.
Percebendo minha demora o cara já veio se oferecendo: quer que eu amarre pra você? Como eu já estava quase enroscando nos panos, fui obrigado a aceitar. Mas pelo menos encostei a bunda no encosto da cadeira pra evitar a "sacada" do rapaz alegre. Bumbum que mamãe passou talco marmanjo nenhum fica manjando não.
Beleza, camisolinha no jeito, pra variar ficou um pouquinho curta, um palmo acima do joelho, e saí todo feliz pra sala de espera, já que ninguém ia ver minha bunda. Tô tranqüilo sentado lá e percebi uma inquietação da menina que estava na minha frente, um misto de surpresa e excitação, vontade de rir, revirando os olhinhos... aí percebi que, como eu estava sentado, o que estava aparecendo era o Big John e suas bolotas adestradas. Maravilha, espetáculo completo, e a mocinha nem desviava o olhar. E a provável mãe dela, ao lado, descobriu o motivo da alegria e mandou uma olhada daquelas tipo raio laser, senti até calor. Discretamente dei uma puxada na camisola pra ver se descia um pouco, e coloquei a mão entre as pernas pra acabar com a festa da platéia. Bom, pelo menos foi melhor que mostrar a bunda. E ganhei duas fãs de carteirinha, que não tiraram o olho de mim até eu ir embora.

Um comentário:

  1. Sam, adoro seus posts...te acho super bem humorado. Na atual cu-juntura risadas são o melhor remédio, já que o remédio propriamente dito não existe. Tenho 2 cunhadas deficientes que são suas fãs. Obrigada pelas dicas. Abraços.
    Flávia.

    ResponderExcluir